Depois
dos 4 x 0 aplicados pelo Barcelona no Campeão da Libertadores de 2011,
Santos, percebi que nós brasileiros estamos muito distantes da realidade
que o futebol mundial atravessa. Tanto dentro, como fora de campo, os
valores, princípios e estilo de jogar futebol do Barcelona, é uma
realidade muito diferente do que temos atualmente em nosso país.
Eu
acredito que essa fuga da realidade que temos experimentado, é gerada,
principalmente, pelo foco, importância ou atenção que jornalistas,
torcedores e os clubes valorizam no Brasil, nos assuntos relacionados ao
futebol.
Estes
assuntos que são infinitamente discutos por nós brasileiros, nós impede
de ver o que realmente é importante, nós fazendo mergulhar de cabeça na
teoria, que o resultado é o que importa, independentemente, dos meios
para alcançá-lo.
Por
achar que está nova filosofia brasileira é muito importante dentro dos
motivos para explicar a decadência do nosso futebol, resolvi discutir em
vários posts estes assuntos, para tentar nos fazer refletir, se o que
nos chama atenção, realmente é relevante no mundo do futebol.
O primeiro assunto que escolhi foi sobre os campeonatos mundiais interclubes e a nossa perspectiva em relação a eles.
Segui o texto:
O jornalista Juca Kfouri teve quase um chilique, quando a FIFA em seu
museu no Japão, expôs que o primeiro campeão mundial de clubes é o Corinthians,
por ter conquistado o título no ano de 2000 (título chamado por muitos, ou
melhor por poucos, de Torneio de Verão).
Confira o texto de Juca Kfouri:
Ora, a
Fifa...
Diz a Fifa
que o Corinthians é o primeiro campeão mundial de clubes, em 2000.
Diga o que a
Fifa disser, mas o primeiro campeão é o Real Madrid, em 1960.
Como o
segundo é o Peñarol, o terceiro o Santos e assim por diante.
E em 2000
tem outro campeão mundial, junto com o Corinthians, o Boca Juniors.
A Fifa e a
CBF, e qualquer outra entidade dessas, podem dizer o que quiserem, mas não
mudarão aquilo que o torcedor comemorou.
Como o
título do Flamengo campeão brasileiro de 1987.
Ou como os
títulos anteriores ao Campeonato Brasileiro de 1971, comemorados como o que
eram: Rio-São Paulo, Taça Brasil, Robertão etc.
A Fifa pode
dizer, aí sim, que em 2000 aconteceu o primeiro Mundial de Clubes organizado
por ela. E ponto.
São outros
500.
Simples
assim.
Ele diz no
texto, título "que o torcedor comemorou."
Essa frase
nos leva a uma pergunta: qual torcedor comemorou?
Como assim?
O Real Madrid não se considera Campeão Mundial de Clubes de 1960, porque
o campeonato se chamava Copa Intercontinental, e o seu torcedor comemorou na
época a conquista da Copa Intercontinental, e não o Mundial de Clubes.
O Milan que foi o time que mais conquistou este torneio (1969, 1989 e
1990), se considera o campeão da Coppa Intercontinentale (Copa
Intercontinental). Em 2007 se considera campeão da Fifa Club World Cup (http://www.acmilan.com/it/club/palmares).
O Boca
Juniors, citado por Kfouri como campeão mundial de 2000, se considera campeão
da Copa Intercontinental de 1977, 2000 e 2003 (http://www.bocajuniors.com.ar/el-club/titulos).
Fica claro que o mundo enxerga ao algo que torcedores e jornalistas brasileiros
não querem admitir: que não existe conquista de títulos via fax, mudança
posterior do nome de campeonatos e desmerecimento de títulos oficiais de
federações, principalmente da maior de todas, a Fifa.
No Brasil, a
postura da imprensa e dos clubes brasileiros é totalmente diferente do mundo
inteiro. O São Paulo se considera 3 vezes campeão mundial, por vencer o
Intercontinental em 92 e 93, e vencer o Mundial da Fifa em 2005.
O Palmeiras
se considera vice-campeão mundial de 1999, sendo que o Manchester United, que
foi o campeão, se considera campeão da INTERCONTINENTAL CUP 1999 (Copa
Intercontinental de 1999).
Flamengo,
Grêmio, Santos e o São Paulo, são campeões mundiais no Brasil com os títulos
conquistados antes de 2000, e são considerados campeões intercontinentais mundo
a fora.
O mais
curioso nesta forma de avaliação brasileira, é que grande parte da imprensa e
torcedores desmerecem a conquista corintiana de 2000, que é ridiculamente
considerada "Torneio de Verão".
Os
brasileiros super valorizam o que a sua tradição estabelece, em detrimento da
posição oficial que o mundo adota.
Argumentos
ridículos são levantados e aceitos pela maioria como verdade absoluta.
Por exemplo,
o Mundial de 2000 é questionado, por não ter tido sua continuação em 2001. Ele
foi retomado apenas em 2005.
O
Intercontinental (para o mundo) ou o verdadeiro mundial (para os brasileiros),
não aconteceu em 1975 e 1978, porque os clubes que iriam disputar o
título (Bayern de Munique x Independiente e Liverpool x Boca Juniors,
respectivamente), não encontraram datas em suas agendas para disputar o
torneio.
Pergunta:
como o maior torneio do mundo, considerado pelos brasileiros, não encontrou
data na agenda dos finalistas, que disputariam apenas um jogo para decidir quem
era o campeão mundial do ano?
Pep
Guardiola eu acho que nos dá uma pista para responder esta questão. Quando
perguntado porque o Barcelona não iria dar um prêmio pela conquista do Mundial
de 2011, ele respondeu:
“É um título
que não terá muita ascendência, pois evidentemente que a Champions é mais
importante. Sei muito bem como os clubes sul-americanos tratam essa competição.
Só que o Barcelona tem somente um mundial na história (em 2009) e essa
conquista também tem valia."
A
torcida do Barcelona não saiu as ruas para comemorar o humilhante 4 x
0, que seu super time colocou em cima do Santos. Por que será?
José
Mourinho, técnico do maior rival do Barcelona, Real Madrid, desmereceu o
Mundial da Fifa, dizendo que é um torneio de apenas dois joguinhos.
Com todas
estas informações e dados, fica claro que toda a polêmica envolvendo os
"tais" títulos mundiais, não vem dos sul-americanos, como observou
Guardiola, mas especialmente dos brasileiros.
No Brasil, a
importância dada aos títulos internacionais, tomou um patamar estratosférico,
tanto que ser campeão nacional nem é mais a meta de quase todos os clubes
grandes brasileiros. Agora a vaga para disputar a Libertadores é a meta
prioritária, porque o grande objetivo é, ganhá-la, ir para o Japão e ser
campeão mundial. Se for através da disputa de 1 só jogo, melhor ainda. Ser
campeão brasileiro é um detalhe. Da Copa do Brasil então? E os regionais?
Crédo!!!
Até o local
da disputa é importante para os brasileiros. O título que vale mais é o que é
ganho no Japão. O de 2000, por exemplo, que foi conquistado no Brasil, o país
do futebol, não vale porque "não tem passaporte".
2013 e 2014
os mundiais serão disputados no Marrocos, qual importância deste país no cenário
do futebol mundial? Mas com certeza a conquista lá vale mais do que a
conquistada no Brasil, porque "tem passaporte".
Eu
entendo que toda está discussão que envolve os títulos mundiais no
Brasil, é apenas fruto da rivalidade dos torcedores e do interesse da
imprensa de explorá-la, porque acredita-se que é a rivalidade que
alimenta a atenção dos brasileiros pelo futebol. Será?
A
imprensa esportiva brasileira é totalmente manipuladora, a notícia
plantada é aquela que vende, independentemente se é verdadeira ou
oficial.
Veja a conclusão que o jornalista Milton Neves teve da derrota do seu time Santos para o Barcelona: E que fique provado uma coisa: para ser campeão do mundo não basta
vencer um torneio de verão em cima do Vasco. Tem que bater o melhor.
Ridículo!
Imagine
um jornalista de um outro país, querer impor a alteração do nome do
título de um clube estrangeiro, que o clube conquistou e entende que
deve ser chamado pelo nome oficial. E o pior de tudo, é que uma proposta
desta encontre espaço e influêncie a opinião pública a concordar com
tal asneira. Este tipo de pensamento é considrado modelo de
imparcilidade e coerência no Brasil.
Eu não consigo imaginar um europeu perdendo tempo discutindo algo sem cabimento deste.
Os
campeões são legítimos campeões, independentemente do nome que está no
troféu. Mudar a placa da taça, não traz nenhum benefício a mais ao
vencedor e sim margem para discordância.
O
Brasil tem que respeitar o que é oficial, e parar de desmerecer as
comquistas alheias. Porque futebol profissional não é varzea, mesmo que o
Barcelona nos deu a impressão disto em relação ao time do Santos.
Pensamentos
como: "quando me beneficia
está certo", "quando o outro ganha é roubado", "a sua
vitória não tem mérito", "o que vale é minha opinião, e não o que a
justiça decidiu", etc., devem ser extirpados do nosso futebol, para que
através de uma mentalidade verdadeiramente desportiva, o nosso futebol
ressurja com o talento que Deus nos deu.
Juca Kfouri, nós
brasileiros estamos comemorando o que o mundo nunca comemorou.
Milton Neves, os melhores times do mundo disputaram o Mundial de 2000.
Brasil, pensamento pequeno e atrasado.